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Para serem mais eficazes, os esforços de controlo do tabagismo devem ser verdadeiramente abrangentes e incluir, por exemplo, campanhas nos meios de comunicação social sobre o tabagismo e questões de saúde inerentes, proibição à publicidade de produtos tabágicos, aumento dos impostos sobre produtos tabágicos, proibições a fumar em ambientes públicos e locais de trabalho e acesso sistemático ao tratamento. O uso de rotulagem enganosa nos produtos tabágicos, em particular ‘light’ e ‘suave’, deve ser igualmente proibido, pois pode dissuadir os fumadores de deixar de fumar e, por conseguinte, prejudicar o seu tratamento.



Estas políticas actuam em conjunto para aumentar a motivação para deixar de fumar, encorajar as tentativas de abandono, reduzir o consumo per capita e auxiliar a manutenção da abstinência. Os programas de tratamento complementam outras políticas de controlo do tabagismo ao criarem ou aumentarem a disponibilidade de suporte para o abandono do tabagismo, aumentando assim a probabilidade de que as tentativas de abandono sejam bem sucedidas. Profissionais de saúde de todos os níveis devem receber treinamento apropriado para motivar e facilitar tentativas de cessação empregando métodos baseados em evidência. À medida que sobe a percentagem de ex-fumadores, aumenta também o apoio às medidas de controlo do tabagismo, produzindo um impacto positivo sobre a saúde nacional. Tais esforços para controlar o tabaco são promovidos pelos artigos 6-14 da FCTC, que se encontram na Parte III, que descreve relacionadas à redução da demanda por tabaco, e nos artigos 15-17 da Parte IV, que descrevem medidas para reduzir a oferta de tabaco (WHO FCTC, 2005).

As intervenções de controlo do tabagismo podem produzir vários efeitos, conforme relatado pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos da América (US Department of Health and Human Services, 2000), nomeadamente: reforço da motivação para deixar de fumar; redução dos impedimentos ao abandono; criação de uma norma anti-tabágica; e redução dos incentivos ao tabagismo. As interacções e sinergias entre estes esforços podem tornar-se mais importantes do que os seus efeitos individuais (USDHHS, 2000). Mais recentemente, o corpo de evidência relativo ao impacto das políticas anti-tabágicas foi revisto e publicado pela Equipa de Trabalho para Serviços Preventivos Comunitários dos EUA (US Task Force on Community Preventive Services). A equipa de trabalho detectou um impacto positivo sobre o abandono decorrente a) do aumento do preço unitário do tabaco; b) da prestação de serviços de cessação polivalentes, incluindo linhas de apoio para deixar de fumar e c) de campanhas nos meios de comunicação social como parte integrante do esforço global. A proibição de fumar em locais públicos ou de trabalho demonstrou diminuir o consumo per capita. Uma análise destas questões, efectuada em diversos países em 2006 por Jha et al., comprovou estas conclusões.
Na cidade de Nova Iorque, a associação de um grande aumento da taxação sobre o tabaco, uma lei abrangente sobre ambientes livres de fumaça e programas para encorajar fumantes a parar, incluindo o fornecimento de TSN, levou, em dois anos, a uma diminuição de 14,4% dos fumantes adultos (CDC, 2007). Os aumentos fiscais produzem um efeito directo na prevalência do tabagismo e encorajam o seu abandono. Dos Estados Unidos da América à Nova Zelândia (Wilson & Thompson, 2005) e a Taiwan (Lee et al., 2005), tal parece constituir um truísmo económico. Ainda que o aumento dos impostos/preços tenha um efeito significativo sobre o consumo de tabaco, um estudo internacional acerca da acessibilidade dos produtos tabágicos aponta para esta dimensão como outra consideração financeira relevante da política de preços do tabaco (Blecher & von Walbeek, 2004). Mais especificamente, o aumento dos impostos/preços encoraja os indivíduos a deixar de fumar, podendo assim ser considerada a intervenção política anti-tabágica mais eficaz (Biener et al., 1998, 2000; Tauras, 1999).

Os aumentos fiscais incentivam igualmente os fumadores a recorrerem à TSN (Chaloupka, 2000; Tauras & Chaloupka, 2003). As restrições no local de trabalho encorajam os fumadores a reduzir o consumo per capita de cigarros, a parar de fumar e a seguir um tratamento (Fichtenberg & Glantz, 2002; Sorensen et al., 1991; Glasgow et al., 1997; Tauras & Chaloupka, 1999). E as proibições na publicidade de produtos tabágicos provaram também contribuir para a promoção do abandono do tabagismo (Saffer & Chaloupka, 2000).

Existem evidências de que as descrições enganosas dos cigarros, tais como ‘light’, ‘suave’ e ‘ultralight’, dissuadiram alguns fumadores de deixar de fumar (Giovino et al., 1996; Weinstein, 2001; Shiffman et al., 2001a; Shiffman et al., 2001b). Pesquisa adicional conduzida por Tindle e colaboradores indica que fumantes que mudam para cigarros “light” têm menor probabilidade de  conseguir sucesso em parar de fumar (Tindle et al., 2006; 2009). Hamilton et al. (2004) mostraram que muitos fumadores não só acham que estas palavras sugerem riscos menores para a saúde como também acreditam que as agências governamentais controlam a veracidade da publicidade dos produtos normais e ‘light’, incluindo as afirmações sobre saúde. Os adolescentes têm percepções incorrectas semelhantes sobre adição, riscos para a saúde e facilidade em deixar de fumar cigarros ‘light’ (Kropp & Halpern-Felsher, 2004).

Hughes (2001) sintetiza os resultados dos estudos experimentais realizados nesta área e conclui que os anúncios destinados a corrigir falsas crenças acerca dos cigarros ‘light’ levaram ao aumento da motivação para deixar de fumar (conforme relato dos próprios fumadores), da probabilidade de abandono do tabagismo ou do interesse em seguir um tratamento.

As campanhas promocionais e educativas comprovaram desempenhar um papel importante em estimular os fumadores a tentar deixar de fumar, havendo indícios da sua eficácia e rentabilidade (World Health Organization, 2009; World Bank, 1999; National Cancer Institute, 2000). A cobertura do tabagismo e de questões de saúde inerentes pelos meios de comunicação noticiosos demonstrou estar relacionada com o comportamento de abandono dos fumadores adultos (Pierce & Gilpin, 2001). Os programas abrangentes também confirmaram promover o abandono (p. ex.: Messer et al., 2007), especialmente entre adultos jovens.

Embora as políticas antitabágicas se destinem a reduzir a exposição ao fumo secundário, também proporcionam oportunidades para os fumadores deixarem de fumar. Fichtenberg e Glantz (2002) calcularam que, aquando da implementação da legislação anti-tabágica, cerca de 15% dos fumadores desistem por completo enquanto outros cortam gradualmente. Também existem evidências do aumento de atividades relacionadas ao abandono no período em volta da implementação de legislação anti-tabágica, incluindo o aumento dos telefonemas para as linhas de apoio (Wilson et al., 2007) e o aumento das vendas de fármacos para deixar de fumar (Metzger et al., 2005). Mudança comportamental é obtida através de uma combinação de motivação e facilitação e é necessário que a motivação para largar o tabaco que é criada por políticas seja combinada com a efetiva facilitação da cessação a fim de aumentar nossa efetividade.

O aumento do acesso ao tratamento complementa todas estas medidas, alargando a disponibilização de apoio ao abandono e a probabilidade das tentativas de abandono serem bem sucedidas. Shiffman e colaboradores (2008) demonstraram que muitos fumantes estão grandemente mal informados sobre os riscos a terapia de substituição de nicotina (TSN) e, consequentemente, são menos propensos a comprar TSN, ou a usam menos do que o recomendado quando chegam a usá-la, ou  não a usam por um período suficientemente longo.



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